terça-feira, 11 de junho de 2013

400 PPM

No final do mês de maio, a notícia aterradora chegou. Em resumo, as 
emissões de gases que provocam o aquecimento no planeta Terra haviam 
ultrapassado a temida marca de 400 partes por milhão. 
Mas o que quer dizer isso?

Simplesmente com essa concentração, segundo os experts, o incremento 
previsto para a temperatura global para o final deste século será de 2 à 
6 graus centígrados, gerando os piores cenários imaginados como por 
exemplo: aceleração do processo de degelo, extremos climáticos mais 
intensos e freqüentes e todo o cenário típico encontrado no Apocalipse.

Os anjos tocam suas trombetas nos quatro cantos, entoando a abertura 
dos quatro selos e com eles libertamos finalmente o Kraken ambiental que 
irá nos devorar. Legal, não é? Mas não é filme de terror não! É a realidade!
Lembro bem das aulas que eu dava no final do século passado e início 
desse, baseadas em matérias jornalísticas, produzidas sobre documentos 
do pentágono que alertavam, durante o período da eleição norteamericana,
quando o candidato republicano obteve seu segundo mandato, que
terrorismo seria fichinha quando comparado com o CAOS que estaria
por vir em conseqüência das mudanças climáticas.

Infelizmente por miopia, arrogância e soberba, avançamos demais sobre 
os recursos naturais do planeta que nos obrigam, mesmo com a crescente 
mas ainda tímida consciência ambiental, ultrapassarmos o tão temido 
limite.

Estima-se que do jeito que vai, onde quem manda mesmo é a prima rica 
da Ecologia, isto é, a metida à besta Economia, chegaremos no atual ritmo 
em vinte anos aos 500 ppm e aí sabe-se lá, mais o que irá acontecer e 
cada um por si e o senhorio por todos.

Não sou eu que estou falando, mísero biólogo, catador de lixo dos 
mangues da região metropolitana do Rio de Janeiro, embrenhado numa 
guerrilha quase que solitária em defesa do que sobrou bem como na 
recuperação do que é possível recuperar, mas doutores,
pós-doutores disso e daquilo que só fazem monitorar, pesquisar,
criar modelos matemáticos e chegar à conclusão que estamos descendo
ladeira abaixo numa velocidade cada vez mais intensa rumo ao COLAPSO.

Não tenho dúvida que o planeta sempre mudará como tem mudado 
desde sua nascença e por isso estamos aqui, mas o custo humano desta 
atual mudança será desastroso para a maioria que estiver principalmente 
nas zonas costeiras e insulares. Tudo leva a crer que vai ficar tudo debaixo 
dágua e os mangues retomarão nos trópicos o que lhes foi tomado 
emprestado por algumas centenas de anos.

Apesar da importância dessa informação, não observei nenhuma reação 
dos governos nem tão pouco das sociedades humanas. É como se essa 
notícia não tivesse nenhuma interação com nossas vidas. É como se 
vivêssemos em outro planeta diferente daquele que se vê aquecendo de 
forma permanente e onde se queira ou não é nosso único lar.

Entre as notícias da economia da zona do euro que balança, mas não cai, 
da nossa economia que não cresce quase nada apesar da inflação e dos 
estímulos e em geral das perspectivas da economia mundial à beira de 
um ataque de nervos dependente cada vez mais do Dragão Chinês e do 
Tio Sam, eu sobrevôo meu quintal que se estende da baía de Guanabara à 
baía de Ilha Grande.

Faltando trinta e seis meses para a tal Olimpíada, o cenário ambiental 
continua desolador. Por onde se olhe se encontra merda e lixo escoando 
por todo lugar em direção às lagoas e baías. Ocupação desordenada tanto 
na região metropolitana como nos municípios do sul fluminense. É uma 
zona de ponta a ponta que se estende também para dentro dágua.
Na baía de Paraty, dentro da Estação Ecológica de Tamoios, ao menos 
70 e poucas embarcações, geralmente traineiras, arrastavam o fundo da 
baía desta manhã de segunda-feira da semana do “1/30 de ambiente”, 
arrasando a fauna marinha local exclusivamente atrás do camarão. O 
resto de vida marinha que vinha na rede era descartado que nem lixo para 
a felicidade de gaivotas.Algumas embarcações arrastavam a poucos metros
da praia e das ilhas em áreas de pouquíssima profundidade, adiantando o tal
Apocalipse para inúmeras espécies marinhas, aradas do fundo da baía local.

Fiscalização? O que é isso? Da mesma forma que se continua jogando 
merda dia e noite na praia de Botafogo e na marina da Glória como 
também em quase toda a baía de Guanabara ao custo de UM BILHÃO 
DE DÓLARES, também na baía de Ilha Grande, o espelho dágua continua 
sendo a terra de Marlboro, ou casa da mãe Joana, numa verdadeira terra 
de ninguém. Até quando meu bom Pai?

E aí o que fazer além de escrever essas breves linhas? Encaminhei entre 
uma capivara morta e um jacaré desossado no sistema lagunar, emails ao 
MP Federal e às secretarias municipais e estadual de ambiente, solicitando 
alguma ação, visando deter o processo de degradação crescente sobre os 
recursos naturais ainda existentes.

Enquanto isso os 400 ppm vão subindo sob a batuta do crescimento 
econômico sem limites, onde o que interessa é o PIB numa população 
humana que não pára de crescer com recursos estratégicos cada vez 
menos abundantes para a maioria.

A coisa vai mal e não é devido à falta de dinheiro. É falta de vergonha 
na cara mesmo e fica evidente que o senhorio está prestes a tomar 
providências, independente de quem esteja na frente.

Pobres crianças, animais e plantas, pois o resto merece mesmo é o 
sofrimento diante de tamanha lerdice.
Mario Moscatelli

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